Da morte

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Da morte

Mensagem por Queen em Qui Nov 08, 2012 7:45 pm

A morte

Ao longo dos tempos, começando pelos mais antigos, a ideia e modo de encarar a morte foram muito diferentes do que é hoje. Talvez tenha sido pelas alterações culturais que foram ocorrendo ao longo dos séculos, que vieram mudar a mentalidade face à morte em si, nomeadamente a sua aceitação, a preparação para a mesma e a forma como é vivenciada.

História da Morte

Sabemos que os Antigos temiam estar proximos dos mortos, pelo que os mantinham afastados, sem por isso deixarem de os honrar para que eles permanecessem no seu plano, de maneira a não regressarem para o mundo dos vivos. É isto o que encontramos na Arqueologia, sempre se mantendo esse afastamento, passando pela Antiga Roma, em que os mortos eram enterrados fora das cidades em cemitérios à beira de estradas.
Tudo isto mudou quando S. João Crisóstomo defende que os mortos deveriam ser depositados “sobre os membros de Cristo”, ou seja; nas igrejas. Apesar de ir contra as leis do Direito Canónico, assim se começou a fazer, contrariando os usos dos séculos anteriores.
Esta mudança deve-se ao culto dos mártires e ao desejo de se ser enterrando junto desses mesmos mártires (Santos), ficando estes em túmulos dentro das igrejas, pois eram um local sagrado. Esta prática era feita pelos elementos da igreja e também por parte dos mais abastados, enquanto que para os pobres estava reservada a vala comum. Era assim em plena Idade Média.
O destino dos ossos quando levantados, independentemente da sua origem social, eram os ossários, pois nesta época os ossos eram propriedade da igreja, contrariamente ao que fazemos nos dias de hoje, deixando-os num local específico e a nosso cuidado.
No século XIII começam a ser representadas nos monumentos religiosos cenas do apocalipse, sendo a mais comum o julgamento das almas pelas sua boas e más acções no fim dos tempos. Com base nisso começa-se a acreditar que o homem revê toda a sua vida momentos antes da morte sendo julgado nessa mesma altura consoante a sua conduta em vida, o que irá então decidir qual o destino da sua alma. De modo que o homem ganhou consciência do efémero e da decadência do seu corpo.
Era costume na antiga Roma, incluindo os escravos, terem um local de sepultura e muitas vezes assinalado por uma inscrição. Isso devia-se ao desejo de conservar a identidade e a memória do falecido. Curiosamente, foi um costume que desapareceu mas que mais tardiamente (séc. XII) voltou a ser praticado, sendo desta vez em personagens mais ilustres, i.e. , Santos.
É a partir desse século que se dá uma mudança na forma de ver a morte. Na visão mais antiga, o homem aceitava resignadamente o seu destino fatal.
Foi então nesse século que essa mentalidade se alterou, tendo continuado pelos séculos seguintes, tendo especial exaltação no Romantismo do séc XIX indo até ao séc. XX. A sua mudança deu-se no imaginário, no mundo obscuro dos fantasmas, podendo ser constatado na arte e na literatura, pois passou a ser um tema do quotidiano, algo no qual deveríamos pensar, reflectir, pois trazia consequências. Isto não quer dizer que fosse visto de uma forma negativa. A morte era algo (salvo algumas excepções ) que era presenciado pela família e próximos. Todos aguardavam o último suspiro à beira do leito daquele que estava moribundo, sendo portanto uma experiência assistida e vivenciada por muitos.
No entanto, o luto deixou de ser algo espontâneo e pessoal. A partir da primeira Idade Média as manifestações de luto passam a ser executadas por carpidores. Estes acompanhavam o cortejo fúnebre, expressando o pesar da partida daquele que falecera. É possível que desde esta data tenha sido imposto à família um período de reclusão aquando a morte de alguém, sendo substituídos pelos referidos carpideiros. Esta reclusão servia para que os desgostosos pudessem curar a sua dor abrigados do mundo, permitindo-lhes esperar que essa mesma dor se suavizasse. Em parte esse afastamento não permitia também que o falecido fosse imediatamente esquecido, guardando viva a sua memória. No antigo regime as mulheres não estavam presentes nestas ocasiões.
No séc. XIX a vivência da morte passou a ser algo mais emocional, onde se gesticula, chora, se fica agitado. A par deste comportamento , existe a ideia da morte como sendo algo libertador,que deveria ser exaltado. Só agora a mulher começou a estar presente nos serviços funerários simbolizando a dor, sempre vestida de negro e inconsolável no seu sofrimento.
Em relação ao luto este tomou a forma de manifestação do pesar e perda de alguém durante algum tempo e era vivenciado de uma forma mto trágica e sofrida, algo insuperável.
Paralelamente a isso há uma preocupação com o local de sepultamento, que partiu do séc. XVII e veio ganhar mais força nos séculos seguintes. Essa preocupação acabou por gerar o costume de visitar os túmulos, de forma a reviver e a venerar a memória dos entes falecidos. A antiga prática de enterrar defuntos dentro de locais ditos sagrados, nomeadamente igrejas e mosteiros e conventos, deixou de ser feita a partir do Séc. XVIII por questões de saúde pública. Em Portugal foi banida no séc. XIX e com imensa contestação por parte dos mais conservadores.
Presentemente todo o ritual da morte acabou. Uma das mudanças mais evidentes é a morte no hospital. Ao contrário do que acontecia anteriormente, em que se morria em casa entre os seus, agora morre-se numa instituição de saúde, onde se obtêm cuidados que não se podem obter em casa. Com isso, morre-se só. Todo o aparato que existia da presença da família no quarto do moribundo deixou de ser praticado. Os avanços da medicina e mesmo a influência de alguns Clérigos terminaram com esse costume, deixando o indivíduo resguardado de tudo isso e centrado apenas no morrer.
Nos últimos tempos, a cremação trouxe uma forma diferente de lidar com a morte. É um método que impede o continuar da ligação com o falecido, pois desaparece tudo, deixa de haver uma obrigação de visitar o túmulo muitas vezes.

O homem e a morte

A atitude perante a morte mudou. Tornou-se algo que se deveria evitar falar, por trazer incómodo, por ser algo muito forte, que rompe com toda a aparência que se deve dar de se ter uma vida constantemente feliz. Em conjunto temos também a fuga às emoções, ao não querer sentir a perda, porque as emoções são coisas para só se manifestam em privado. Não se usa o luto, nem se dá azo ao desgosto, é algo que parece mal, pois demonstra desiquilíbrio e falta de controlo. O que era em tempos idos algo certo, normal, e algo anunciado, pois raramente se davam mortes súbitas, salvo em situações de guerra ou outro tipo de acidente, mas até esses eram escassos, tornou-se tabu. A morte era sempre anunciada e aguardada. Pensar em morte súbita era algo que gerava temor porque não trazia a possibilidade de arrependimento e por se ser privado da vivência da sua própria morte.
O cuidado presente é que nem se dê conta da morte. Deve ser um acontecimento que se possível deverá ser ocultado a quem padecerá. A morte é algo dramático do qual se evita falar, apenas em casos de extrema necessidade. No entanto, já se percebeu que dar conhecimento de que se irá morrer traz mais hipótese de se viver com mais intensidade o pouco tempo que resta. Também há os que se deixam abandonar à morte e nada os demove dessa escolha, desafiando todos aqueles que estão encarregues de cuidar deles para que não padeçam.
As crianças convivem com a ideia do nascimento e do amor, mas quando o avô desaparece e questionam isso a resposta dada é que foi para local muito bonito. A sociedade exige um autodomínio neste aspecto de maneira a que as emoções não se manifestem. Os que sobrevivem não se devem retirar das relações sociais, o que os levaria à exclusão. Algo que era aceite noutros tempos e considerado necessário, deixou de o ser. Atafulhamo-nos de trabalho ou fingimos que o defundo ainda está presente. Não nos é permitido chorar os nossos mortos. A nossa sociedade fita a produção, acumulação de bens ,a conquista de títulos e honras e a morte arrasa tudo isso. A nossa herança ocidental não nos prepara ou educa para a morte. E como não a entendemos simplesmente não falamos nem pensamos nela. *




• Se temos o direito à vida não deveríamos ter também o direito à morte?

• Será a morte uma maneira de reforçar o nosso crescimento interior apesar de ser a maior fonte de sofrimento? Bastará aceitar a perda, a mágoa e a dor para isso acontecer?

• Devemos aceitar a morte como algo pertencendo à existência ou deverá ser mantida na sombra como assunto penoso?

• Será que os ritos religiosos que são feitos realmente nos ajudam ou honram os nossos entes que se foram? Há alternativa melhor?

• Devia haver um acompanhamento para quem está ciente da sua morte e para os seus familiares?

• É a morte um tabu social?

• Devemos ter por hábito pensar na morte e no morrer? Será a religião a única forma de conseguir ultrapassar e viver a morte?




*Bibliografia consultada:
Ariés, Philippe (1989). Sobre a história da morte no Ocidente desde a Idade Média (2ª ed.). Lisboa: Teorema
Oliveira, Abílio (1999). O desafio da morte : convite a uma viagem interior (1ª ed.).Lisboa : Editorial Notícias
Oliveira, José H. Barros de (1998). Viver a morte : abordagem antropológica e psicológica. Coimbra : Livraria Almedina



Última edição por Queen em Sab Nov 10, 2012 10:45 am, editado 1 vez(es)
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Re: Da morte

Mensagem por Taýr Mirellë em Sex Nov 09, 2012 11:06 pm

Ai rapariga, que me puseste a pensar. Realmente, o que considero mais relevante nisto tudo é

"A atitude perante a morte mudou. Tornou-se algo que se deveria evitar falar, por trazer incómodo, por ser algo muito forte, que rompe com toda a aparência que se deve dar de se ter uma vida constantemente feliz. Em conjunto temos também a fuga às emoções, ao não querer sentir a perda, porque as emoções são coisas para só se manifestam em privado. Não se usa o luto, nem se dá azo ao desgosto, é algo que parece mal, pois demonstra desiquilíbrio e falta de controlo. O que era em tempos idos algo certo, normal, e algo anunciado, pois raramente se davam mortes súbitas, salvo em situações de guerra ou outro tipo de acidente, mas até esses eram escassos, tornou-se tabu. A morte era sempre anunciada e aguardada. Pensar em morte súbita era algo que gerava temor porque não trazia a possibilidade de arrependimento e por se ser privado da vivência da sua própria morte.
O cuidado presente é que nem se dê conta da morte. Deve ser um acontecimento que se possível deverá ser ocultado a quem padecerá. A morte é algo dramático do qual se evita falar, apenas em casos de extrema necessidade. No entanto, já se percebeu que dar conhecimento de que se irá morrer traz mais hipótese de se viver com mais intensidade o pouco tempo que resta."

A morte também tem a sua beleza. Traz ao de cima o lado mais emocional de quem está a ela ligado, e de uma maneira que nenhuma outra coisa consegue. Pode ser tão pacífica se for aceite como algo natural, não só a nível biológico mas também a nível espiritual, e faz-me confusão que muita gente nem se questione sequer sobre como será a própria morte. Lembro-me de já em pequena ser-me inconcebível a ideia de a minha consciência desaparecer, porque pura e simplesmente tinha que continuar existir. Imaginava-me sozinha, sem corpo, a flutuar no silêncio e na escuridão pintalgada de estrelas, como se estivesse no espaço à espera que acontecesse alguma coisa, nem que fosse passar um cometa por ali ao acaso xD É esquisito uma criança de 10 anos imaginar estas coisas?
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Re: Da morte

Mensagem por Morrigan em Sab Nov 10, 2012 12:06 pm

Queen, o teu texto está excelentemente escrito, parabéns Very Happy E trazes a debate algo que também já me questionei muito. E Tayr, não acho que seja algo estranho de uma cirança imaginar. O primeiro contacto com a morte que todos temos pode ser algo chocante pois eu ainda me lembro quando era pequena e pensava que os meus pais eram imortais até ir a um funeral de uma pessoa da minha familia que morreu já com muita idade. O choque que foi saber que todos iriamos um dia morrer...só chorava a pedir a minha mãe para que ela prometesse que não o faria, isto com 6. 7 anos...por isso acho completamente normal Smile Acho que a sociedade de agora quer se manter jovem e bela para sempre e a ideia de envelhecer e caminhar inevitavelmente para a morte é tabu pois quebra essa ilusão de juventude. Basta ver que ninguém respeita mais os idosos, que os escondem, as próprias pessoas mentem sobre a idade ( tenho uma tia que já faz 56 anos há 8 anos... Laughing ). Isto era tão mais natural noutras épocas, onde até tiravam mesmo as fotografias post mortem com quem morreu e a familia ao lado, para terem uma recordação dessa pessoa. E as suas expressões eram claro de dor, mas de alguma forma de aceitação. Acho que isto só demonstra os valores errados que a sociedade está a passar, onde a beleza exterior está acima da interior e onde a juventude é tudo, devendo fazer o mesmo para a obter.

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Re: Da morte

Mensagem por Sosai Wakasaki em Sab Nov 10, 2012 4:13 pm

Ora bem, como prometido vou escrever aqui um pouco sobre a visão da morte, do ponto de vita oriental, nomeadamente o ponto de vista dos chineses e dos japoneses.

A história da morte, na China

Desde sempre na China, a morte tem sido celebrada de uma maneira muito importante e grandiosa. Muito cedo (2000 A.C. aproxidamente), à semelhança dos Egipcios, os líderes da sociedade eram enterrados com oferendas, como por exemplo produtos de bronze, carroças, cavalos e mesmo servos. Por exemplo, na sepultura de uma senhora da aristrocacia, a Sra. Hao, foram encontrado mais de 300 vasos de bronze. Um outro exemplo muito bom, é o do primeiro Imperador da China: Qin Shi Huang Di 秦始皇帝, com o seu exército de Terracota 兵马俑


Com o passar do tempo a visão da China sobre a morte pouco mudou excepto em alguns casos.

A partir de 500 A.C. aproxidamente, com o surgimento do Confuciunismo, filosofia que ainda hoje está muito entrenhada na mentalidade chinesa, a fidelidade paternal tornou-se o ponto mais importante para a vida de um chinês, o que indica que por exemplo um homem ou mulher ser executado, sem ter produzido um descendente, era a maior das vergonhas possíveis.
Um exemplo muito bom desta fidelidade é o exemplo de SiMaQian, que mostra bem esta fidelidade:
Si Ma Qian era filho de um historiador, que estava a fazer uma compilação da história da China. Porem o seu pai, morreu sem ter completado o seu trabalho. Si Ma Qian decide então pegar no trabalho do pai, mas durante o seu percurso enfurece o Imperador, que lhe dá a opção: Morte ou Castração. Para a maioria dos Chineses, a castração era o maior pecado a ser feito, pois significava que não poderia ter herdeiros. No entanto, foi esta a opção que Si Ma Qian escolheu, pois achou mais importante acabar o trabalho do pai, do que simplesmente morrer.

Porém na China também há uma visão diferente da morte, a visão do Daoismo/Taoismo de Zhuang Zi.
Zhuang Zi foi um filósofo do século IV A.C., que tinha uma visão muito própria e chocante da morte, pois encarava a morte como algo completamente natural, segundo a ordem natural da natureza. No seu livro, Zhuang Zi, encontra-se uma passagem que reflecte muito bem a sua visão:

"When Zhuangzi's wife died, Hui Shi went to console him. He found the widower sitting on the ground, singing, with his legs spread out at a right angle, beating time on a bowl.
'To live with your wife', exclaimed Hui Shi, 'and see your eldest son grow up to be a man, and then not to shed a tear over her corpse, this would be bad enough. But to drum on a bowl, and sing; surely this is going too far.'
'Not at all', replied Zhuangzi. 'When she died, I could not help being affected by her death. Soon, however, I remembered that she had already existed in a previous state before birth, without form or even substance; that while in that unconditioned condition, substance was added to spirit; that this substance then assumed form; and that the next stage was birth. And now, by virtue of a further change, she is dead, passing from one phase to another like the sequence of spring, summer, autumn, and winter. And while she is thus lying asleep in Eternity, for me to go about weeping and wailing would be to proclaim myself ignorant of these natural laws. Therefore I refrain from it."


Com o surgimento do budismo, mais tarde, a visão da morte mudou um pouco, pois começou-se a acreditar na Reincarnação do espírito. As pessoas perderam medo da morte, e muita gente decidiu tornar-se monge budista para poder fazer com que os seus pais fossem reincarnados na próxima vida como algum ser melhor.

Apesar destas várias mudanças, a morte sempre foi vista como algo importante, e até ao final das Dinastias, um funeral era sempre algo estrondoso, uma celebração capaz de empobrecer os filhos do defunto.

Hoje em dia a visão chinesa está mais ocidentalizada, muito devido à perda de cultura durante a era de Mao, como à globalização em geral. No entanto, continuam a haver algumas tradições, como por exemplo uma espécie de dia de todos os Santos, que se costuma celebrar em Abril, onde os chineses vão visitar as campas dos seus familiares, e fazem uma merenda ao seu lado, queimam dinheiro e carros de papel, entre outras coisas. Isto porque eles acreditam que no mundo do outro lado, os defuntos também precisam de dinheiro, carros e tudo o resto.

A História da Morte, no Japão

Sobre este país não sei tanto, infelizmente sobre a morte como na China, porém também vou tentar dizer o que sei.
A morte no Japão era visto um pouco mais natural do que na China. Não havia grandes celebrações, inclusive nos primeiros tempos, os mortos eram mandados para valas comuns.
Mais tarde com a formação de uma sociedade mais complexa, os grandes líderes começaram a ser enterrados em grandes monumentos chamados Kofun.



Na altura dos Principiados combatentes, 戦国時代 sengoku Jidai, entre o século XV e o século XVII, graças ao bushido,武士道, o código de honra samurai, que dizia que o Samurai devia de respeitar sempre o seu mestre, a morte era vista como algo que poderia honrar os ancestrais e os mestres. Conclusão muitas vezes um samurai era chamado a cometer seppuku, para agradar o seu mestre, e criar alianças entre dois principiados.

Infelizmente ainda não sei grande coisa sobre a visão da morte japonesa, mas eventualmente saberei. E quando souber ver se digo aqui mais qualquer coisa. Razz

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Re: Da morte

Mensagem por Queen em Sex Nov 16, 2012 4:27 pm

Muito bem, Sosai! Smile Gostei do teu texto. E fica à vontade para falar no Japão logo que possas.

Nyanko e Morrigan: obrigada pelos vossos comentários. ^^,
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Re: Da morte

Mensagem por ToniToni em Qua Nov 21, 2012 10:09 am

Morrigan, acho muito interessante o teu poste.
Eu também tenho essa ideia que a sociedade tem uma ideia um pouco doentia da morte, esconde-a e teme-a , eu acho que mesmo quem é católico não tem plena confiança na vida apósa morte e por isso teme a morte.

Bem para mim já é completamente diferente , já acredito plenamente na vida após a morte já que fiz viagem astral e isso deu-me essa certeza.
Mas desde que começei a estudar o assunto á pouco tenpo e ainda não morreu ninguem da minha familia para ter a certeza de que irei suportar bem essa situação.

Mas do ponto de vista do dito espirito que morre, depois da morte caso ele tenha algum conhecimento a morte para ele é algo muito bom, já que todos se recusão a encarnar, pois é algo doloroso e cansativo. É facil imaginar: Um espirito que tem tamanhas capacidades de se plasmar mover para onde quer instantaneamente, pensar/ sentir tão amplamente; voar até ; não morre não sofre, enfim um parasio para quem tem plena conciência e está libre de vicios e de raivas e sentimentos que lho prendam.(Pois já que quem tem sentimentos doentios, após morte isso se intencifica, já que no astral as emoções intensofocão-se)
Enquanto que no mundo fisico (este mundo/plano) temos fome; cede; temos de nos lavar; trabalhar; temos doenças ;temos feridas; temos o peso da gravidade do corpo e dos orgão, temos de respirar, não podemos pensar muito pois o nosso cerebro tem limites e mesmo a pensar custa, assim como correr andar é preciso fazer esforço. Bem é algo completamente diferênte. Mas como conparado como tenpo que permanecemos no astral, é pouco tem, e queremos estar aqui para aprneder um bocado.

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Re: Da morte

Mensagem por hugo quer aprender em Qua Fev 13, 2013 12:16 pm

eu não temo a morte, acho uma coisa perfeitamente normal que acontece a todos nós
na minha opinião as pessoas deviam dizer como queriam que fossesm sepultados, por exemplo eu quero ser enterrado numa floresta faziam um montinho de pedras ( uma vez vi numa serie a falar da religiao antiga e as pessoas eram sepultadas assim)e com uma espada cravadano peito(depois de morto é claro) e secalhar co maisalguma coisa mas por agora é só isso

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Re: Da morte

Mensagem por ToniToni em Qua Fev 13, 2013 10:53 pm

Eu acho que o povo celta fazia isso.

Eu também gostava de ser enterrado na floresta.É o local onde me senti mais confortável e calmo. E também depois de morrer queria que ninguém me chateasse. Fogo, depois de uma vida toda de trabalho e de chatices quero é sossego!

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Re: Da morte

Mensagem por hugo quer aprender em Qui Fev 14, 2013 10:00 pm

ou na rforma vais par o interior do pais onde é muitooooooooooooo
sossegado

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Re: Da morte

Mensagem por ToniToni em Sex Fev 15, 2013 12:24 am

yah, olha que até gostava. Se não tivesse de trabalhar e de ganhar dinheiro pra comer e ter as coisas. Podia bem viver por lá.
Mas também gosto de alguma adrenalina, e não gosto de estar muito fechado. Mas depois lá ia dar umas voltas de vez em quando para sair lá do "buraco" onde morava. Mas também saia todos os dias. Gosto de caminhar e de de explorar.
Sé visses por lá um gajo tipo ninja a salta pelo meio do monte, esse sou eu. Very Happy ah ah ah

(lol, que filme, lol )

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Re: Da morte

Mensagem por adri114 em Sex Fev 15, 2013 7:16 pm

Ja estou a imaginar a cena..lol

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Re: Da morte

Mensagem por hugo quer aprender em Sab Fev 16, 2013 10:44 pm

mesmo, agora pus-me a imaginar e Very Happy
imagina só eu a ir para o algarve a passar pelo alentejo, aborreciso e derepente pum!! huuua que sena é aquela um ninja, ria-me tanto,e naquelas aldeias 3 idosos e lá no fundo algo a saltar o galaico ninga.

Quanto a isso duvido que queiras ser ninja quando fores idoso e não precisas de trabalhar tens a reforma. EU tambem gosto imenso de esplorar ponho-me pelosmatas a dentro...

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Re: Da morte

Mensagem por ToniToni em Qua Fev 20, 2013 11:06 pm

ah ah ah ah ah .....

Eu gosto de correr, mas sou do norte é por isso eu salto de penedo em penedo, aqui é só mato / monte penedos e florestas.

Mas mesmo quando for velhote ainda vou dar umas voltinhas, mas cláro que demorava mais tempo, e não saltava de penedo em penedo. lol

vocês tem uma boa imaginação! mas realmente é pra rir, Galaico ninja bounce :aikido: bounce :tyosh: :unidance: :imawesome: cheers , lol Very Happy


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Re: Da morte

Mensagem por adri114 em Qui Fev 21, 2013 9:40 pm

Ya vais a passar de carro e derrepente olhas para um lado e anda la o galaico a dar pontapes para o ar, e murros...
Enquanto os outros idosos estao na missa lool

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Re: Da morte

Mensagem por hugo quer aprender em Sex Fev 22, 2013 9:48 am

eu tambem sou do norte

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Re: Da morte

Mensagem por ToniToni em Dom Fev 24, 2013 3:19 pm

Estou praqui a falar e sei lá se vou chegar a essa idade.
Mas o que interessa é o espírito .......ESPIRITO NIINNNNJAAAAAAA :tyosh: :tyosh: :tyosh:

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Re: Da morte

Mensagem por Sosai Wakasaki em Dom Mar 24, 2013 1:51 am

Bem, já tenho um pouco mais de informação sobre a noção japonesa da morte, em termos concretos, por isso cá vou eu tentar escrever a forma de ver a morte do ponto de vista japonês.

Primeiro de tudo temos que começar com a parte religiosa japonesa. Há duas religiões principais no Japão: 仏教Budismo e 神道 Xintoísmo. O Budismo é uma religião estrangeira, com o seu fundador (Sakyamuni) enquanto que o Xintoísmo é uma religião nacional, e natural (ou seja, não tem fundador). O Budismo tradicional trata de assuntos do "depois deste mundo" enquanto que o Xintoísmo tradicional trata do "agora neste mundo". O Xintoísmo considera a morte poluição, enquanto que o Budismo, acredita na reencarnação e no Nirvana. No entanto, com o passar do tempo, o Xintoísmo arranjou formas de explicar também o que é a morte, para competir com o Budismo. Com estas noções temos que perceber o quanto pragmático é a sociedade japonesa. Portanto, claro que temos que perceber que há mais do que uma ideia sobre a morte em geral.

Deixo então aqui a noção geral do que é a morte, segundo alguns pontos de vista:

Dum ponto de vista Xintoísta: Morrer significa que a alma sai do corpo. A alma de um "novo morto" é uma "Nova Alma", que é selvagem e violenta e pode fazer mal aos vivos. Principalmente aquelas que foram mortas em acidentes ou morreram cedo etc. Portanto os vivos têm que fazer rituais para as acalmar.
No entanto, com o passar do tempo estas Novas Almas" vão ficado calmas, chamando-se assim de "Almas Calmas".
Passado um tempo consideravel, as almas perdem a sua individualidade e tornam-se uma com a alma dos seus antepassados. São então chamado Kami ancestrais. Normalmente demora 33 anos a uma alma tornar-se Kami.

Estes Kami ancestrais normalmente residem nas montanhas e olham pela vida dos seus descendente, mas de tempo em tempo, voltam à casa dos seus descendentes.

Da seita da Terra Pura do Budismo (seita à qual a maioria dos Japoneses budistas pertence):
Os antepassados mortos têm 2 aspectos: um abstracto e um concreto. Os mortos abstractos foram para o Paraíso da Terra Pura. Não exercem influência sobre nós. Os mortos não se preocupam sobre os seus descendentes. Apenas as memorias deles que são partilhadas pelos vivos é que os conectam ao mundo dos vivos.
Este é o aspecto budista da morte. Os vivos não veneram os mortos mas sim o Buda Amitabha 阿弥陀. Somente quando os mortos se tornam Buda é que darão compaixão ilimitada ao homem.
Os mortos concretos, exercem influência sobre a mente dos vivos. Eles não vão longe, estão perto de nós e olham pelas nossas vidas. Os vivos e os mortos amam-se e ajudam-se. Os mortos, por causa da sua natureza concreta, funcionam como guias éticos. Quando as memórias deles desaparecem da mente dos vivos, eles tornam-se um e formam uma unidade divina de ancestrais e tornam-se Kami (aqui nota-se uma influência Xintoísta, nesta forma de pensar. Portanto segundo esta visão, o Abstracto pode-se dizer que é budista, o concreto Xintoísta).

Outras seitas budistas modernas dizem que um morto se torna automaticamente Buda. No entanto isso impõe alguns problemas que não vou referir a não ser que mo peçam.

Claro que também há outros tipos de vista como por exemplo aqueles que não acreditam em nenhuma religião mas no entanto sentem que há algo superhumano a olhar-nos. Ou ainda aqueles que acreditam que quando morrem, vão para debaixo de uma árvore grande nas montanhas até nascerem de novo.


E pronto, aqui deixo um bocadinho mais de informação.

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Re: Da morte

Mensagem por ToniToni em Dom Mar 24, 2013 12:58 pm

Muito bom obrigado pela informação.

Penso que existe alguma (muita) influência humana nessas crenças, e ai já estamos a entrar no que nos convém dizer, ao invés do que realmente é ou que tem mais sentido pelo menos.

Mas também é apenas uma opinião minha, e quem sabe o que é real neste mundo de ilusão?

Mas acho sempre construtivo estudar um pouco isso.

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