Aborto, a Ma(Pa)ternidade e o Paganismo

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Aborto, a Ma(Pa)ternidade e o Paganismo

Mensagem por Clodagh Amora em Qua Jun 20, 2012 4:36 pm

Este é um tema que me toca profundamente, porque me faz questionar sobre a mulher que sou, a mãe que serei e as minhas ligações à Terra. Gostava que me dessem as vossas opiniões sobre o tema e o texto.

Texto retirado de: The Pagan Book of Living and Dying

"Abortion is, as we all know, one of the most painful and controversial spiritual issues of our day. The Goddess religion has no hard and fast ruling on when a clump of fetal cells becomes a being. I (Starhawk) was taught that the moment varies greatly with individual pregnancies. Some women have a sense of new life even before conception. Others may not feel that the fetus in their womb has taken on a soul until the time of quickening. This is one of the mysteries. It is in our encounter with the the mysteries of birth and death, growth and suffering, pleasure and sorrow, that we meet the Goddess. So to take away our right to have that encounter, to face that often painful and difficult choice, is to deny a woman's deepest spiritual self."

Women are moral agents, and in the Goddess and Pagan traditions, we are each our own spiritual authority. We have a right to wrestle with these issues ourselves, not have them predetermined for us by government authorities. We have a right to determine what goes on inside our bodies. To deny that right to women is to invite government intrusion into all kinds of private and personal choices. Overturning Roe vs. Wade would open the door to state control of our most intimate and tender decisions, and be a step closer to a totalitarian regime.

In my own community, the Reclaiming tradition of Wicca, we have created rituals to help women face this choice and to mourn and grieve afterwards. In "The Pagan Book of Living and Dying," we describe one such ritual and offer prayers and meditations for those facing hard choices. We honor the act of choosing as a sacred and moral act.

"An abortion is the death of a possibility. Not all possibilities can come into being--that is the nature of life itself--but we can still allow ourselves to mourn and grieve while upholding absolutely our right to make the choice."

As a society, we obsess about the life of the unborn while failing miserably to protect and cherish the lives of the born. We do not provide health care for all children. Over two billion living children in the world go hungry each day. Millions die from preventable diseases, from lack of clean water or medicines. Thousands are killed in wars, destroyed by bombs, maimed by land mines or shot down as collateral damage in conflicts they did not create. We act as if a child's right to life terminates at birth.

Whatever our views on pregnancy and choice, we share a moral imperative to care for the living children around us, to safeguard their health and to assure them the opportunity to grow up and fulfill their purpose on a thriving, healthy planet. That is the overriding issue we face, as a nation and a worldwide community, and the deepest moral dilemma we confront in this time of crisis, crashing systems, and change.

Starhawk and M. Macha Nightmare. "The Pagan Book of Living and Dying." HarperSanFrancisco, 1997.
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Re: Aborto, a Ma(Pa)ternidade e o Paganismo

Mensagem por Queen em Qui Jun 28, 2012 5:37 pm

Um assunto delicado este.

Tenho este livro em casa e é dos poucos dentro do paganismo que aborda este e outros assuntos. Recomendo, pois é mto bom.

Questionei muitas vezes se deveria responder ou não a este tópico. Como mulher devo, embora talvez não consiga dar uma opinião mais completa por não ser mãe.
Não vou deixar aqui a minha opinião sobre o que penso, pelo menos não claramente, pois não considero relevante. Também não vou ser romântica, porque a maternidade/paternidade nada tem de romântico. É algo muito poderoso, que nos arrasta para uma nova forma de encarar a vida. É uma avalanche de sentimentos e emoções, eu acho. Quem tem noção disso, questiona se está preparado e escolhe o que considera ser o correcto. Dentro do que tem na sua consciência.

Penso que aqui a questão vai um pouco além do ser ou não a favor do aborto. A autora fala-nos do ser mulher e do que nos leva a fazê-lo e o que isso nos trás.

“Others may not feel that the fetus in their womb has taken on a soul until the time of quickening. This is one of the mysteries. It is in our encounter with the mysteries of birth and death, growth and suffering, pleasure and sorrow, that we meet the Goddess. So to take away our right to have that encounter, to face that often painful and difficult choice, is to deny a woman's deepest spiritual self."


Tudo o que ela diz nesta citação é verdade. Começando pelo quando se sente que é uma ”alma” que está dentro de nós. As opiniões aqui podem ser diferentes. A meu ver vida é vida ainda antes mesmo de dar sinal de si. Ela já existe. Nós contribuímos é para a sua materialização. Não quero de maneira nenhuma ofuscar ou diminuir o papel do homem com esta afirmação. Já disse noutros tópicos que homem e mulher se complementam. O que quero reforçar aqui é a opinião da autora, porque cabe a nós mulheres a escolha do que fazer com o poder que temos de gerar vida e se queremos continuar a materialização da vida que nós carregamos no nosso ventre ou não. Como ela diz, é algo que faz parte da Deusa. E tenho de colocar isto neste contexto, porque assim creio e disso se trata.

Ter este poder é de uma grande responsabilidade. Assim como decidir o que fazer. Seja escolher o continuar a conceber ou o interromper essa concepção trazem impacto numa mulher. E também no homem, se ele realmente se encontrar presente em todo o desenrolar da situação. Qualquer uma delas traz mudança e tem impacto nas vidas dos envolvidos. E temos de nos sentir preparados para cada uma delas. Para o sim e para o não.

É no nosso corpo que tudo acontece e somos nós o auxilio de um ser durante muito tempo. Isto tem o seu peso, assim como o decidir não querer isso no momento em que uma gravidez ocorre. O escolher não continuar uma gravidez pode estar relacionado com as condições que idealizamos para os filhos que desejamos ou outras hipóteses bem mais complexas.

Há mulheres que se sentem livres quando optam por uma interrupção enquanto que há outras que sofrem com isso, pois de alguma forma viram-se forçadas a tomar essa decisão.

Eu penso que o importante aqui é realmente o que a autora diz. Estamos ligadas à Deusa e temos o poder de decidir neste aspecto. Sentimos na pele o dar a vida e temos opostamente a isto nas nossas mãos o poder de acabar com ela. Tudo isto faz parte da Deusa. Muitas Deusas possuem estes opostos nelas mesmas.


"An abortion is the death of a possibility. Not all possibilities can come into being--that is the nature of life itself--but we can still allow ourselves to mourn and grieve while upholding absolutely our right to make the choice."


Sim, o aborto é isto mesmo. E temos de perceber que se for algo que escolhemos por força das circunstâncias, isso nos vai ferir, por dentro e por fora. No nosso espírito e no nosso corpo. E temos de fazer luto, como ela diz. Porque é a morte de uma possibilidade. E ao escolher eliminar essa possibilidade, temos de estar cientes que vamos sofrer com isso. A questão é: Estaremos nós preparadas para esse luto? Seremos capazes de suportar essa perda? Alguma vez isso ficará sarado? Estas são para mim questões fundamentais. É algo que vai mexer profundamente connosco e temos de abraçar essa situação. Por inteiro. Daí ela falar em luto. Temos de deitar cá para fora tudo o que isso nos fez sentir. A tomada de decisão e o acto.


“As a society, we obsess about the life of the unborn while failing miserably to protect and cherish the lives of the born. We do not provide health care for all children. Over two billion living children in the world go hungry each day. Millions die from preventable diseases, from lack of clean water or medicines. Thousands are killed in wars, destroyed by bombs, maimed by land mines or shot down as collateral damage in conflicts they did not create. We act as if a child's right to life terminates at birth.”


Este último ponto é pertinente no sentido em que a vida da criança realmente continua além do nascimento. Ela aponta um contrasenso que é evidente na nossa sociedade, ficando como reflexão. Sociedade estranha esta...

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