A Intuição Criativa - Os pintores

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A Intuição Criativa - Os pintores

Mensagem por Amitiel Pandora em Sab Nov 12, 2011 7:17 pm

"Quanto aos pintores e aos escultores, a inspiração tem também um papel importante. Entre eles, alguns afirmaram muitas vezes sentirem-se «possuídos» pela sua obra. No entanto, no que respeita à inspiração, a Augustin Lesage foi espantosa. Era mineiro como fora seu pai, seu avô e todos os antepassados.
Em Março de 1911, quando trabalhava na mina, deitado numa estreita passagem que dava para uma galeria afastada do movimento da mina, viveu um estanho fenómeno.
«No silêncio, o único barulho que se ouvira era do meu alvião. De repente, ouvi uma voz bem nítida que me dizia: 'Um dia serás pintor.'
»Olhei em redor para ver de onde vinha essa voz. Não havia ninguém! Eu estava completamente sozinho. Fiquei estupefacto e assustado. Quando subi da mina não contei nada a ninguém: nem aos meus amigos, nem aos meus filhos, nem à minha mulher. Tinha medo de que pensassem que era alucinado ou estava louco.
»Alguns dias mais tarde, igualmente na mina e a trabalhar sozinho, a voz ouviu-se de novo. Fiquei aterrorizado. Mantive esta manifestação em segredo e fiquei muito inquieto, com medo de enlouquecer. Na época, ignorava que podiam ocorrer coisas inexplicáveis.
»Durante algum tempo, desci à mina com apreensão. Receava ouvir vozes. Mas nunca mais ouvi nada. Desde então, nunca mais as voltei a ouvir.»

Os meses passaram e Augustin nunca mais pensou nas vozes nem no medo que tinha sentido. Um dia, um amigo falou-lhes de espiritismo. Imaginando que estas comunicações com os mortos poderiam estar relacionadas com a voz, Lesage leu inúmeras obras sobre o assunto. Motivado pelas suas leituras, decidiu então interrogar uma mesa com o seu amigo Ambroise Leconte e a mulher deste, bem como com um outro mineiro, Raymond Gustin. A mulher de Augustin juntou-se ao grupo; sentaram-se, dando as mãos, em redor de uma pequena mesa. A mesa não demorou muito a erguer-se e, desde a primeira sessão, indicou que o médium era de facto Augustin. Nas vezes seguintes, todas as quintas-feiras, às 20 horas, os mesmos amigos reuniam-se para a sua sessão de espiritismo. Um dia, a mesa emitiu uma longa mensagem:
«Hoje, estamos muito felizes por podermos comunicar contigo. As vozes que ouvis-te são uma realidade. Um dia serás pintor. Escuta bem os nossos conselhos e verás que um dia tudo se realizará, tal como te transmitimos. Leva à letra tudo o que te dissermos e a tua missão realizar-se-á.»
A partir dessa época, Augustin Lesage pintou mais de novecentos quadros, telas de grandes dimensões, de uma espantosa originalidade e extremamente variadas. Sem renunciar à sua profissão, durante quarenta anos, assim que chegava a casa começava a pintar; o seu cansaço desaparecia como por encanto. Renunciou às saídas de domingo para ficar agarrado aos seus pincéis, que dizia serem «guiados» pelo Além. Este homem, que tudo ignorava sobre arte e a hstória da pintira, chegou a efetuar construções arquitetónicas perfeitas e concretas, com um traço perfeitamente regular. Lesage não dispunha de nenhum documento para pintar frescos que representavam cnas da antiguidade egípcia, da assíria ou do extremo oriente. Afirmava que os seus quadros não eram fruto da sua imaginação e que a mão não passava do instrumento de um cérebro que não era o seu.
Em 1947, reuniu-se uma comissão composta por médicos, professores, arquitetos, polícias e magistrados para estudarem o seu método de trabalho. Todos constataram que trabalhava de uma forma automática e sem dúvida nenhuma inconsciente, demasiado desconcentrada para as suas perspetivas arquitetónicas sem falhas e perfeitamente simétricas. Além do mais, as suas primeiras telas eram todas obras acabadas, tal como as últimas. E não evoluía na sua arte, como fazem a maior parte dos pintores.
O Dr. Osty, do Instituto de Metafisica Internacional, que estudou longamente este caso, disse sobre o assunto:
«Espantamo-nos por um homem inculto, sem qualquer ascendente artístico conhecido, sem noções anteriores de desenho e pintura e sem qualquer queda para eles, se inspirar unicamente em conceitos decorativos de antigas civilizações, sobretudo as orientais, não efetuando uma 'imitação', tal como o faria alguém cuja visão se encontrasse impregnada de influências; transpõe os aspectos da vida antiga numa invenção pessoal de temas.»
Sempre sobre esta matéria, um pintor conhecido considerou espantoso que um mineiro pudesse pintar tais temas:
«Como é estranho que este mineiro tenha sido capaz de alcançar esta forma de arte! É com certeza um dos últimos temas que lhe deveria ocorrer [...]. Estas telas constituem uma profusão de belezas. Que um trabalhador sem qualquer prática de pintura tenha sido capaz de as fazer é de facto extraordinário. Que tenha desdenhado todos os outros géneros de pintura para pegar este é para mim ainda mais espantoso!»
Um outro facto vantajoso para Lesage era o seu perfeito desinteresse. Tinha grande relutância em vender os seus quadros e só o fazia a amigos. Para calcular o preço, multiplicava o número de horas passadas a pintá-los pelo tarifário ao qual eram pagos os mineiros.
Em 1925, acedeu finalmente em fazer a sua primeira exposição. O sucesso foi fantástico e os maiores críticos da época não regatearam elogios. Em 1928, expôs no salão dos artistas franceses ao lado dos mais importantes pintores da época, entre eles Picasso, e os críticos interrogaram-se sobre quem era o génio arquiteto dos templos desconhecidos.
Os maiores nomes do mundo cientifico e clínico debruçaram-se sobre o seu caso. Durante seis semanas, foi instalado um atelier onde trabalhou sob os olhares de nove observadores de diversas nacionalidades, durante cinco horas diárias. Todos ficaram impressionados pelo facto de Lesage jamais efetuar o mínimo retoque.
Foram-lhe feitas inúmeras propostas, mas o mineiro sempre as recusou com firmeza. Os seus guias espirituais eram categóricos. No entanto, autorizaram-no a expor as suas telas na Bélgica, em Inglaterra e no Norte de África.
Em Agosto de 1938, os seus guias informaram-no de que, brevemente, receberia uma visita importante. Uma dama da sociedade inglesa veio de facto fazer-lhe uma visita, quando ele expunha em Paris-Plage, trazendo-lhe um escaravelho encontrado no túmulo de Amenópis III. «Nesta vida, como na do Além, o portador deste talismã será privilegiado» disse-lhe. O talismã estava gravado em caracteres hieroglíficos. Muito comovido por esta oferta, iniciou a pintura de um quadro cujas cenas vira durante um sonho e que representavam as colheitas egípcias. Trabalhou nele com afinco durante dois meses e, assim que terminou o quadro, embarcou no paquete El Mansour, que o levou ao Egipto. Levava consigo uma vintena de telas que tencionava expor no Hotel Continental; entre elas, encontrava-se o seu último quadro: La Moisson en Egypte (A colheita no Egito)
No Cairo, travou conhecimento com um eminente egiptólogo, A. Fournier, confessando-lhe que se tinha deslocado ao Egito porque os seus guias lhe tinham revelado que o quadro original existia no país e que ele o podia ver. Imaginamos a surpresa e o ceticismo de Fournier.
Lesage visitou então todos os altos lugares do Egito faraónico. Chegado ao Vale dos Reis, acompanhado por um guia e por alguns companheiros, penetrou no túmulo de um canteiro de Ramsés II. Na parede da câmara funerária, via-se um fresco descoberto muito recentemente. Era o original, com mais de três mil e quinhentos anos, da tela pintada por Lesage antes da partida. Estupefacto, Augustin Lesage ficou imóvel por momentos incapaz de falar. Não estava a sonhar! Entrara de facto em comunicação, através dos tempos e do espaço, com aquele que pintara este fresco trinta e cinco séculos antes. A seu lado, Fournier parecia comovidíssimo. «É alucinante!», murmurou o egiptólogo. «Qual deles serviu de modelo ao outro? A sua tela representa exatamente esta cena!»
O presidente Franklin Delano Roosevelt adquirira uma das telas do pintor, da qual nunca se separava.
Lesage passou a vida a ajudar os outros e possuía também dons extraordinários de cura , que pródiga generosamente partilhava. Este homem, que não pretendia riqueza, poder ou celebridade, foi mesmo assim criticado por alguns e alvo de hostilidade de outros. Deixou este mundo em Fevereiro de 1954."

Aqui estão algumas pinturas de Lesage
Spoiler:





A razão pela qual coloquei isto aqui deve-se essencialmente à minha paixão pela pintura. Identifico-me com certos aspetos referidos nesta história. E o mais engraçado é que abomino toda a arte com vertente geométrica... E simplesmente não consigo deixar de olhar para o trabalho de Lesage e encontrar por detrás das pinturas, simbologia que ainda está por descobrir.

Gostaria de saber a vossa opinião. Quer em relação à história em si, quer a vários assuntos aqui retratados.
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Amitiel Pandora

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